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9. Primeiros Socorros - Resumo

Nesta unidade aprenderemos:

Este conteúdo apresenta, em português do Brasil, os fundamentos de primeiros socorros aplicados a sinistros de trânsito. Serve para estudo de prova e orientação geral. Não substitui treinamento profissional nem protocolos oficiais. Em qualquer emergência, priorize a sua própria segurança, acione os serviços competentes e não arrisque procedimentos para os quais você não foi treinado.

1) Objetivos e princípios

Os primeiros minutos após um sinistro definem o desfecho. O foco é: proteger a cena, chamar ajuda e prestar auxílio básico sem agravar lesões. A regra geral é não causar dano: aproximar-se com cautela, evitar movimentos desnecessários nas vítimas e manter a calma.

  • Segurança em primeiro lugar: você não pode ajudar se se tornar uma vítima.
  • Acionar socorro: informe local, número de vítimas, estado geral, riscos (fogo, vazamentos) e bloqueios.
  • Assistência básica: medidas simples e seguras até a chegada das equipes.

2) Segurança da cena (prevenção de novos acidentes)

Antes de qualquer contato com vítimas, reduza a probabilidade de colisões secundárias. Em vias rápidas e rodovias, a sinalização deve ser colocada a maior distância e, se possível, com ajuda de outros condutores.

  • Pisca-alerta e luzes acesas; se puder, use colete refletivo.
  • Triângulo em distância proporcional à via (em rodovias, muito mais longe).
  • Isolamento com cones, galhos ou outros marcadores improvisados, quando seguro.
  • Evite permanecer na pista; posicione-se atrás de barreiras quando existir.
  • Desligue a ignição de veículos se alcançar com segurança; não fume no local.

3) Acionamento do socorro (comunicação eficaz)

Ao chamar ajuda, transmita informações claras e objetivas:

  • Localização precisa (pontos de referência, quilômetro da rodovia, sentido).
  • Número aproximado de vítimas e se há crianças/idosos/gestantes.
  • Riscos presentes: fogo, fumaça, fios, produtos perigosos, vazamentos.
  • Acesso bloqueado ou necessidade de resgate especializado.

Fique disponível para atualizações e siga as orientações do atendente.

4) Abordagem primária (o que checar primeiro)

Realize uma verificação rápida e sistemática, sem movimentar a vítima além do indispensável:

  • Consciência: responde quando chamada? abre os olhos? obedece comandos simples?
  • Respiração: respira normalmente? há esforço intenso ou ausência de movimentos?
  • Hemorragias graves: sangramento ativo visível? controle imediato com compressão direta.
  • Riscos ambientais: fogo, fumaça, tráfego, queda de objetos; afaste se houver perigo iminente.

Importante: não retire capacete de motociclista, a menos que haja comprometimento evidente da via aérea e você saiba como fazê-lo com segurança. Proteger a coluna é prioridade.

5) Via aérea e respiração (condutas básicas)

Se a vítima não responde e não respira ou respira de forma anormal, as medidas variam conforme seu treino. Se você é treinado, siga os protocolos cabíveis. Se não é, solicite orientações do atendente de emergência e não tente técnicas avançadas. Em vítimas conscientes com respiração difícil, mantenha posição confortável e não deite à força.

  • Mantenha a cabeça em posição neutra quando houver suspeita de lesão cervical.
  • Afrouxe roupas apertadas ao redor do pescoço/peito, se for seguro.
  • Monitore continuamente: pioras súbitas exigem nova chamada ao socorro.

6) Hemorragias (como estancar com segurança)

Hemorragias externas importantes são prioridade porque ameaçam a vida rapidamente. O método básico é compressão direta e firme sobre o local do sangramento, com gaze, pano limpo ou o que estiver disponível.

  • Se o material encharcar, não remova; adicione novas camadas por cima.
  • Evite torniquetes improvisados; só use se você for treinado e quando indicado.
  • Elevar o segmento pode ajudar, desde que não cause dor ou suspeita de fratura.

7) Suspeita de fraturas, coluna e politrauma

Em impactos de trânsito, presume-se lesão da coluna até prova em contrário. Não mova a vítima, exceto por risco iminente (fogo, explosão, afogamento). Imobilize na posição encontrada com apoios laterais improvisados (cobertores, mochilas) e aguarde o resgate.

  • Em fraturas expostas, não tente reduzir (recolocar)
  • Cubra com pano limpo, controle a hemorragia nas bordas e evite contaminação.
  • Evite oferecer bebidas ou alimentos.

8) Queimaduras (condutas essenciais)

Em queimaduras térmicas, interrompa a fonte de calor e resfrie a área com água corrente (temperatura ambiente) por alguns minutos. Não use gelo, pomadas, pasta de dente ou substâncias caseiras. Remova acessórios (anéis, relógios) se não estiverem aderidos, devido ao inchaço.

  • Cubra suavemente com pano limpo ou gaze estéril.
  • Não estoure bolhas.
  • Queimaduras químicas: enxágue prolongadamente com água, evitando espalhar o agente; proteja-se.

9) Estado de choque (reconhecer e prevenir piora)

Sinais possíveis: palidez, sudorese fria, pulso acelerado, sonolência, sede intensa. Choque é grave e requer atendimento imediato.

  • Mantenha a vítima aquecida, sem superaquecer.
  • Se não houver suspeita de trauma na coluna e não houver dificuldade respiratória, mantenha deitada.
  • Não ofereça comida ou bebida.

10) Vias rápidas, noite e chuva (sinalização e autoproteção)

O risco de atropelamento secundário é alto em rodovias e sob baixa visibilidade. Adote medidas extras:

  • Amplie muito a distância do triângulo em relação ao veículo imobilizado.
  • Use lanterna e, se possível, colete refletivo para aumentar sua visibilidade.
  • Evite atravessar faixas de alto fluxo; aguarde apoio quando necessário.

11) Produtos perigosos e incêndio

Em presença de fumaça densa, odor químico forte, vazamentos ou símbolos de risco em veículos de carga, não se aproxime. O isolamento e o acionamento especializado são a conduta correta.

  • Evite contato com líquidos/pós desconhecidos.
  • Afaste curiosos e mantenha o trânsito desviado, se puder e for seguro.

12) Múltiplas vítimas (noções simples de priorização)

Sem formação específica, utilize critérios simples para orientar o socorro até a chegada das equipes:

  • Deambula/fala: tende a ser menor gravidade imediata, mas siga monitorando.
  • Não responde ou não respira: prioridade máxima; sinalize ao atendente e peça orientação.
  • Hemorragia ativa: prioridade para compressão direta.

Evite aglomeração sobre uma única vítima; distribua tarefas seguras (sinalizar, chamar ajuda, buscar materiais limpos).

13) O que não fazer (para não agravar)

  • Não mover vítima sem risco iminente.
  • Não retirar capacete de motociclista (salvo ameaça à via aérea e com técnica adequada).
  • Não oferecer alimentos, bebidas ou álcool.
  • Não aplicar pomadas em queimaduras nem substâncias caseiras.
  • Não “recolocar” ossos expostos.
  • Não discutir no local; preserve o foco e a calma.

14) Comunicação com as equipes (passagem de informação)

Quando as equipes chegarem, transmita o que observou:

  • Hora provável do evento e evolução dos sinais.
  • Riscos no entorno e medidas que você já adotou.
  • Queixas das vítimas, uso de remédios (se informado) e alergias conhecidas.

15) Perguntas tipo prova (fixação)

  1. Quais são as prioridades ao chegar em um sinistro de trânsito?
  2. Como sinalizar a cena com segurança em rodovia e por que ampliar a distância do triângulo?
  3. Qual a conduta correta diante de hemorragia externa importante?
  4. Por que não se deve retirar o capacete de motociclista?
  5. Liste três atitudes que agravam queimaduras e devem ser evitadas.

16) Checklist rápido

  • Proteger a cena, acionar o socorro e não se expor ao risco.
  • Checar consciência, respiração e hemorragias graves.
  • Controlar sangramento com compressão direta.
  • Imobilizar na posição encontrada; não mover sem necessidade.
  • Comunicar dados objetivos às equipes ao chegarem.

Conclusão

Primeiros socorros no trânsito consistem em proteger, chamar e cuidar sem agravar. Medidas simples, feitas com calma e segurança, salvam vidas. Busque formação prática sempre que possível e mantenha uma postura de direção defensiva para evitar que as emergências aconteçam.